Projeto de extensão promove inclusão digital e segurança da informação para pessoas idosas
A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) iniciou, no dia 8 de outubro, um projeto de extensão voltado à inclusão digital e à segurança da informação para pessoas idosas. Coordenada pelo professor Jadson Rafalski, a iniciativa conta com a colaboração do professor Gustavo Andrade e reúne 14 estudantes dos cursos de Matemática, Ciência da Computação e Mídia e Tecnologia.
Com duração prevista de 12 meses e apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEX) da UFSB, o projeto é realizado em parceria com a Casa do Vovô, em Itabuna, e a Igreja Batista, em Itapitanga, na Bahia. A proposta é oferecer oficinas práticas que ajudem as pessoas idosas a utilizar smartphones e serviços digitais com mais autonomia, confiança e segurança.
A iniciativa surgiu a partir das discussões relacionadas à 6ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, instituída pelo Decreto nº 12.015, de 6 de maio de 2024. O projeto considera os desafios impostos pela rápida transição demográfica brasileira e pela crescente digitalização de serviços essenciais, fatores que podem ampliar as desigualdades e dificultar o acesso das pessoas idosas a direitos e serviços públicos.
Segundo o professor Jadson Rafalski, a proposta também foi motivada por sua participação em discussões sobre o tema em um grupo de pesquisa. A partir dessas reflexões, ele idealizou o projeto para aproximar a universidade das necessidades cotidianas desse público.
Embora a digitalização ofereça novas possibilidades de comunicação e acesso a serviços, muitas pessoas idosas ainda enfrentam dificuldades para utilizar ferramentas relacionadas à saúde, à previdência, ao transporte e aos serviços bancários. A falta de familiaridade com essas tecnologias também pode aumentar a exposição a golpes e fraudes virtuais.
O projeto pretende desenvolver habilidades digitais úteis para a rotina dos participantes. Entre os conteúdos previstos estão o uso de aplicativos de mensagens, a realização de chamadas de vídeo, o registro de fotografias, a digitalização de documentos e a solicitação de transporte por aplicativo.
Outro destaque será a orientação sobre o acesso e a utilização do SOUGOV, plataforma que reúne serviços destinados a servidores públicos federais. A proposta é apresentar suas funcionalidades e auxiliar os participantes a compreender os procedimentos necessários para utilizar a ferramenta.
A segurança da informação também será um dos eixos centrais das atividades. As oficinas abordarão a criação de senhas seguras, a ativação de mecanismos de proteção, a verificação em duas etapas e a identificação de links maliciosos e mensagens fraudulentas recebidas por SMS, e-mail ou WhatsApp.
Os participantes também aprenderão a reconhecer tentativas de phishing, fraudes bancárias e o chamado golpe do “novo número”, em que criminosos se passam por familiares ou pessoas conhecidas para solicitar transferências de dinheiro com urgência.
Para facilitar a aprendizagem, serão utilizadas simulações com telas impressas e demonstrações de situações que reproduzem ameaças virtuais comuns. As pessoas que possuem smartphones poderão levar seus próprios aparelhos para os encontros e receber orientação individualizada dos estudantes extensionistas, que auxiliarão no uso dos recursos e na configuração de ferramentas de segurança.
A proposta é que o aprendizado aconteça de maneira acessível, respeitando as dúvidas e o ritmo de cada participante. Mais do que apresentar funcionalidades, a iniciativa busca desenvolver a confiança necessária para que as pessoas idosas utilizem a tecnologia de forma consciente e independente.
Participação de estudantes e comunidade
Desde julho de 2026, os estudantes envolvidos vêm se reunindo para organizar as atividades, realizar levantamentos bibliográficos, estudar as ferramentas que serão abordadas e preparar os materiais de apoio utilizados nas oficinas. Durante os encontros, eles também atuarão diretamente no acompanhamento dos participantes, esclarecendo dúvidas e auxiliando no manuseio dos dispositivos.
Inicialmente, o projeto atenderá 30 pessoas idosas que já frequentam os espaços parceiros: 20 participantes na Casa do Vovô, em Itabuna, e dez na Igreja Batista, em Itapitanga.
"O projeto aposta em pequenas mudanças capazes de gerar grandes transformações na qualidade de vida dessas pessoas idosas", complementa e finaliza o professor Jadson.


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