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NOTA DE PROFUNDO PESAR - ELIANA PÓVOAS PEREIRA ESTRELA BRITO

  • Publicado: Terça, 29 de Setembro de 2026, 10h32
  • Última atualização em Terça, 29 de Setembro de 2026, 10h40
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Eliana

ELIANA, ESTRELA

É incomensurável a tristeza da Comunidade do Programa de Pós-Graduação em Ensino e Relações Étnico-Raciais (PPGER) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), ao se juntar à tessitura de vozes acadêmicas que expressam a dor pela perda da professora Eliana Póvoas Pereira Estrela Brito.

Toda a história do PPGER, desde a sua origem, da qual ela é uma das idealizadoras e fundadoras, está entrelaçada com a da professa Eliana.  Coordenadora Geral do Programa, era a nossa narradora, responsável por contar a nossa história, e fazê-la viva, atuante, diferente e diversa, nos âmbitos da UFSB e da Área de Ensino da Capes, sem se render aos meios-termos e às métricas que desconsideram o humano --- palavra que ela proferiu muito em seus últimos áudios, incansável em nos tentar provar que as IAs, elas, sim, são o anti-humano.

Nossa matriarca, por assim dizer.

Genial, controvertida, obstinada, dona da última palavra, generosa sem se gabar de sê-lo, Eliana gargalhava e nos fazia gargalhar, detentora que era do raro talento de ser debochada e elegante ao mesmo tempo, rindo de si mesma e de quem mais a tirasse do sério, com a sabedoria de quem vivia as suas experiências no campo da educação e da gestão sem largar mão da desobediência dos que sabem sonhar, como nos contou em seu memorial recém-defendido: “Não abdiquei de sonhar, mesmo sabendo que havia uma série de caminhos mais fáceis, mais obedientes, mais servis e, por consequência, supostamente mais calmos. Mas tem aquele velho ditado que meu pai sempre dizia: ‘Mar calmo nunca fez bom marinheiro.’ Imaginem... marinheira!”. 

Eliana também registrou: “Hoje é o dia de dar início à difícil – e necessária – tarefa de escrever este memorial. Não como quem apenas relata atividades, mas como quem revisita caminhos, portos de ancoragem, travessias e tempestades. Aqui, registro não apenas o que fiz, mas o que fui e o que sigo sendo: professora, pesquisadora, extensionista, militante da educação pública, feminista, antirracista e plural”.

É uma honra e uma grandeza para o PPGER que essa mulher de tantos predicados tenha sido a Coordenadora Geral do Programa por tantos anos, professora, orientadora; tudo muito e intenso.  A sua presença firme, a persistência, a batalha contínua pela existência do programa, o companheirismo, a capacidade de distribuir demandas sedutoramente, de cobrar com firmeza, de reconhecer as nossas potencialidades e lutar pelo acreditava, ainda ontem eram nosso dia a dia e agora serão nossas memórias. Seu “encantamento”, como nos ensinam as comunidades indígenas, é uma perda inestimável, assim como a sua luta e a sua defesa por um PPGER de qualidade e comprometido com a transformação social de nosso território é o nosso legado, ao que esperamos respeitar, reverenciar e dar continuidade.

Em luto, partilhamos o nosso afeto, o nosso abraço com toda nossa comunidade, com a sua família, amigas e amigos, com o desejo que seu brilho de Estrela, marca registrada em seu nome, e sua memória continue nos iluminando desde onde ela foi “borboletear”. 

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